Gastrite: sintomas, causas e tratamento com gastroenterologista especialista

Olá, eu sou a Dra. Érika Loures, médica gastroenterologista, e hoje vamos conversar sobre um problema que afeta milhões de pessoas: a gastrite. Se você já sentiu queimação, dor no estômago ou uma indigestão persistente, este artigo é para você.

Muitas vezes, esses sintomas são ignorados ou tratados com soluções caseiras que apenas mascaram o problema. Meu objetivo aqui é esclarecer suas dúvidas e mostrar que, com o diagnóstico e tratamento corretos, é possível controlar a gastrite e recuperar sua qualidade de vida.

O que é a gastrite?

De forma simples, a gastrite é uma inflamação na mucosa do estômago. Pense na mucosa como uma barreira protetora que reveste o interior do seu estômago, defendendo-o contra o próprio ácido que ele produz para digerir os alimentos.

Quando essa barreira fica irritada e inflamada, surgem os sintomas desconfortáveis da gastrite. Ela pode ser classificada de duas formas principais:

Ela pode ser:

  1. Aguda – quando surge de forma súbita.
  2. Crônica – quando persiste por longo período.
  3. Erosiva – quando há lesões superficiais.
  4. Atrófica – quando há afinamento da mucosa.

Nem toda dor no estômago é gastrite. E nem toda gastrite causa dor intensa.

Por isso, o diagnóstico correto é essencial.

Quais São os Sinais de Alerta e os sintomas mais comuns?

Os sintomas podem variar de intensidade e frequência. Alguns pacientes têm queimação diária. Outros apresentam apenas desconforto eventual.

Os sinais mais comuns são:

  • Dor ou ardor na região do estômago
  • Sensação de estufamento
  • Náuseas
  • Vômitos
  • Sensação de digestão lenta
  • Perda de apetite
  • Azia

Em casos mais graves, podem ocorrer:

  • Vômitos com sangue
  • Fezes escuras
  • Anemia

Esses sinais exigem avaliação médica imediata.

O que causa gastrite?

Entender a causa da gastrite é o primeiro passo para um tratamento eficaz. A inflamação não acontece por acaso. Abaixo, listei os fatores mais comuns que atendo aqui no consultório:

  • Infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori): esta é, sem dúvida, a causa mais comum de gastrite crônica no mundo. O H. pylori é uma bactéria que consegue sobreviver no ambiente ácido do estômago, danificando a barreira protetora e causando inflamação. Ela pode permanecer silenciosa por anos antes de causar sintomas.
  • Uso de Medicamentos: o uso frequente de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno, nimesulida e diclofenaco, pode irritar a mucosa gástrica e levar à gastrite aguda. O mesmo vale para o ácido acetilsalicílico (AAS).
  • Consumo Excessivo de Álcool: bebidas alcoólicas podem corroer e irritar o revestimento do estômago, sendo uma causa comum de gastrite aguda.
  • Tabagismo
  • Estresse Fisiológico: grandes cirurgias, queimaduras graves ou doenças críticas podem causar uma condição conhecida como gastrite de estresse, devido à redução do fluxo sanguíneo para o estômago.
  • Doenças Autoimunes: em casos mais raros, o próprio sistema imunológico do corpo ataca as células do estômago, causando a gastrite autoimune.

Gastrite nervosa existe?

Esse é um termo muito popular.

Do ponto de vista médico, o que ocorre é que estresse e ansiedade aumentam a produção de ácido gástrico e alteram a sensibilidade do estômago.

Isso pode piorar sintomas já existentes ou desencadear dor mesmo sem lesão significativa na mucosa.

Por isso, o tratamento muitas vezes precisa ser global, envolvendo alimentação, controle do estresse e, em alguns casos, medicação. Cuidar da saúde mental é também uma forma de cuidar do seu estômago.

Como é feito o diagnóstico da gastrite?

Muitas pessoas tomam remédio por conta própria sem investigação adequada.

O diagnóstico pode envolver:

  1. Avaliação clínica detalhada
  2. Exames laboratoriais
  3. Teste para Helicobacter pylori
  4. Endoscopia digestiva alta

A endoscopia permite visualizar diretamente a mucosa do estômago e identificar inflamação, erosões ou úlceras.

Além disso, possibilita a realização de biópsia quando necessário.

Quando é preciso fazer endoscopia?

A endoscopia é indicada principalmente quando há:

  • Sintomas persistentes
  • Falha no tratamento inicial
  • Perda de peso
  • Anemia
  • Vômitos frequentes
  • História familiar de câncer gástrico

Pacientes acima de 40–45 anos com sintomas recorrentes também devem ser avaliados com mais atenção.

Gastrite pode virar câncer?

Essa é uma dúvida frequente.

A maioria das gastrites não evolui para câncer.

No entanto, alguns tipos específicos, como a gastrite atrófica associada ao Helicobacter pylori, podem aumentar o risco ao longo dos anos.

Por isso, o acompanhamento com gastroenterologista é fundamental, especialmente nos casos crônicos.

Tratamento da Gastrite

O tratamento da gastrite depende diretamente da sua causa. Não existe uma “fórmula mágica” que sirva para todos. O plano terapêutico é sempre individualizado.

  1. Gastrite por H. pylori: o tratamento envolve o uso de uma combinação de antibióticos para eliminar a bactéria, junto com um medicamento que reduz a acidez do estômago (como os inibidores de bomba de prótons – omeprazol e seus derivados).
  2. Gastrite medicamentosa: a primeira medida é suspender ou substituir o medicamento causador, sempre com orientação médica. Além disso, são usados protetores gástricos para ajudar na cicatrização.
  3. Mudanças no Estilo de Vida: este é um pilar fundamental do tratamento, independentemente da causa. Pequenas mudanças fazem uma grande diferença.

Alimentação e Hábitos: Seus Aliados no Controle da Gastrite

Ajustar a dieta é crucial para aliviar os sintomas e permitir que seu estômago se recupere. Recomendo as seguintes práticas:

  1. Evite alimentos irritantes: café, bebidas com gás (refrigerantes), frituras, alimentos gordurosos, frutas cítricas, embutidos pimenta e molhos ácidos (como o de tomate) podem piorar a dor.
  2. Não fique muito tempo em jejum: comer porções menores em intervalos mais curtos (a cada 3 horas, por exemplo) ajuda a evitar que o estômago fique vazio e o ácido irrite a mucosa.
  3. Mastigue bem os alimentos: a digestão começa na boca. Mastigar devagar facilita o trabalho do seu estômago.
  4. Prefira alimentos leves: opte por carnes magras (frango, peixe), vegetais cozidos, frutas não muito ácidas e grãos integrais.
  5. Cuidado com o álcool e o cigarro: O álcool irrita diretamente a mucosa, e o cigarro, além de outros malefícios, dificulta a cicatrização.

Posso tomar omeprazol por conta própria?

Essa é uma prática comum.

Porém, o uso prolongado sem acompanhamento médico pode:

  • Mascarar doenças mais graves
  • Causar deficiência de vitaminas como ferro e vitamina B12
  • Alterar absorção de minerais
  • Aumentar risco de infecções intestinais

O tratamento deve sempre ser orientado por especialista.

Quando procurar um gastroenterologista?

Você deve buscar avaliação especializada se apresentar:

  1. Dor frequente no estômago
  2. Sintomas que não melhoram com medicação comum
  3. Náuseas persistentes
  4. Anemia sem causa definida
  5. História familiar de câncer gástrico

Quanto mais cedo o diagnóstico, mais simples costuma ser o tratamento.

Por que consultar com especialista?

Cada dor abdominal tem uma história.

Nem tudo é gastrite.

Pode ser refluxo, úlcera, intolerância alimentar, dispepsia funcional ou outra condição que exige abordagem específica.

A consulta especializada permite:

  • Diagnóstico preciso
  • Investigação adequada
  • Tratamento individualizado
  • Acompanhamento seguro

No consultório, realizo avaliação detalhada, solicitação criteriosa de exames e acompanhamento próximo, com foco na melhora dos sintomas e qualidade de vida.

Considerações finais

A gastrite é comum.

Mas não deve ser banalizada.

Sintomas recorrentes merecem investigação.

O tratamento correto não é apenas tomar um antiácido. É entender a causa e agir sobre ela.

Se você apresenta dor, queimação ou desconforto gástrico frequente, procure avaliação especializada.

Cuidar do estômago é cuidar da sua saúde como um todo.

Agende sua consulta e tenha um plano de tratamento individualizado, seguro e baseado em evidências.